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Carrinho

Hoje passámos por uma carrinha que dizia “Açúcar de Origem 100% Sustentável”. Era da Sidul. Ficámos intrigados e fomos ao site perceber o que queria dizer, sabendo de antemão que estávamos perante uma alegação ambiental abusiva.

Por mais esforços que a Sidul esteja a fazer (que aplaudimos e que estão relatados no seu site com um mínimo de detalhe), falar em 100% sustentável é mentir aos consumidores. Não só porque isso não existe numa indústria que implica uma cadeia de abastecimento altamente complexa, com produtores no outro lado do mundo, milhares de quilómetros de transportes (movidos a combustíveis fósseis), vários intermediários e todo um trabalho de refinação com inegáveis impactos associados. Mas também porque o ‘100% sustentável’ é (praticamente) impossível.

Podíamos falar de inúmeras outras empresas que praticam diariamente greenwashing (ou ecobranqueamento, em português), porque são mesmo muitas. Num artigo no site do Governo português, publicado há um ano, lê-se “75% das alegações ecológicas em páginas web são vagas e gerais“, de acordo com um estudo na União Europeia. Por isso, a Sidul não está sozinha neste campeonato.

A sustentabilidade está na moda e é cada vez mais uma estratégia de marketing para ganhar quota de mercado. Muitas vezes há um esforço real das empresas para reduzir o impacto ambiental das suas operações. Só que depois exagera-se no vocabulário, na expectativa de vender mais, o que a julgar pelo que vemos no dia-a-dia é uma tendência natural dos departamentos de marketing por esse país (mundo?) fora.

Há um guia de Alegações Ambientais na Comunicação Comercial que contextualiza estas situações e define boas e más práticas. Quando encontrares alegações deste género não hesites em contactar a Direção-Geral do Consumidor ([email protected]) e/ou a Auto Regulação Publicitária ([email protected]) a manifestar a tua preocupação e pedir esclarecimentos.

Enquanto consumidores podemos e devemos exigir que as marcas sejam claras e inequívocas na forma como comunicam, para o bem de todos. Pouco a pouco, contribuímos em conjunto para um sistema alimentar mais justo e transparente.

Alinhas?