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Carrinho

Todos os dias fazemos opções. Isto aplica-se ao que comemos ou vestimos, à forma como nos deslocamos, para onde vamos passar férias ou até como escolhemos ocupar o nosso tempo livre. E todas estas opções têm o seu custo, que vai muito para lá do mero valor monetário.

Quando compramos alimentos, um dos factores que condicionam as nossas escolhas é o preço. Num mercado, com vários vendedores alinhados, é fácil saltitarmos de banca em banca para ver quem tem as cenouras mais baratas e com isso conseguir o melhor negócio possível. Provavelmente já todos estivemos nessa posição – de fazer zapping por toda a oferta disponível e assim poupar algum dinheiro.

Num quilo de cenouras, se calhar ficamos com mais 20, 30 ou 40 cêntimos na carteira. Mas será esse o verdadeiro custo? Terão essas cenouras custado menos a produzir do que as das bancas vizinhas? E estará esse preço de venda a considerar todos impactos associados à produção deste alimento?

Tornemos o exemplo mais real, com estas quatro hipóteses:

  • Cenoura (não bio) importada: €0,60/kg
  • Cenoura (não bio) nacional: €0,80/kg
  • Cenoura (bio) importada: €1,50/kg
  • Cenoura (bio) nacional: €1,90/kg

Qual seria a tua opção?

 

Os impactos ambientais, económicos e sociais

Sim, a cenoura importada de produção convencional sai-nos mais em conta. Mas traz consigo uma série de impactos. Os mais evidentes são os ambientais, pelo método de produção (por exemplo, com recurso a químicos de síntese) e pelas emissões de carbono causadas pelo transporte. Há outros a considerar. Quem trabalhou para produzir essa cenoura e de que forma foi remunerado? Para onde vão parar os 80 cêntimos que pagámos por aquele quilo? Na realidade, a maior parte nem vai para quem efectivamente produziu. É mesmo isso que queremos?

Escolher produtos de origem biológica e nacional tem – tendencialmente – custos nominais mais elevados, sim. E é certo que, em situações de orçamentos familiares muito apertados, a opção pelo produto mais barato é uma inevitabilidade. De resto, para todos aqueles que têm a capacidade para decidir com consciência, há uma responsabilidade à qual não devemos fugir.

O acto de comprar e consumir é muito mais do que uma mera troca comercial. É um selo de aprovação às práticas associadas ao método de produção, à origem, ao transporte, à remuneração de quem produz. Se podemos ter um papel activo na coesão da nossa economia e na sustentabilidade daqueles que à nossa volta trabalham para nos acrescentar valor, é justo virarmos a cara e olharmos só para a nossa carteira? No limite, é mesmo um acto político.

Há uma diferença substancial entre algo que é ‘caro’ e algo que ‘custa muito dinheiro’. Consumir local, de produção biológica, sem embalagens pode custar mais dinheiro, mas será verdadeiramente caro? Sobretudo a longo prazo, não será o preço (ambiental, social, económico) a pagar pela pequena poupança na nossa carteira mais significativo?

Da próxima vez que fores às compras faz esse exercício de reflexão. E, por favor, partilha as tuas conclusões connosco.